Os fabricantes europeus de automóveis de luxo – BMW, Mercedes-Benz e Audi – estão a reduzir os preços na China para contrariar a desaceleração das vendas e o aumento da concorrência das marcas nacionais de veículos eléctricos (EV). As medidas, anunciadas no início de 2026, refletem uma grande mudança no maior mercado automóvel do mundo.
O declínio nas vendas força a ação
Dados de 2025 mostram uma queda significativa nas vendas das três marcas. As entregas da BMW caíram 12,5%, da Mercedes-Benz 19% e da Audi 5% em relação ao ano anterior. Isto representa uma perda combinada de cerca de 260.000 veículos vendidos na China. O mercado chinês é historicamente responsável por uma parte substancial dos lucros das marcas alemãs, tornando esta recessão particularmente significativa.
Não se trata apenas de números de vendas mais baixos. É um realinhamento fundamental: as marcas de luxo estrangeiras estão a ser forçadas a competir em termos de preços de uma forma que nunca fizeram antes.
Cortes de preços em geral
A BMW tomou a medida mais agressiva, revisando os preços de mais de 30 modelos, com cortes superiores a 10% em muitos veículos. O BMW iX1 eDrive25L, por exemplo, viu seu preço cair de 299.900 yuans ($ 43.460 USD) para 228.000 yuans ($ 33.000 USD) – uma redução de mais de 23%. A Mercedes-Benz seguiu o exemplo em fevereiro de 2026, ajustando os preços de modelos importantes como o Classe C e o GLC em cerca de US$ 4.740 a US$ 9.770.
Os analistas do setor automotivo interpretam esses cortes como um pivô estratégico em direção à acessibilidade de valor, em vez de uma “guerra de preços” total. Os revendedores também estão se beneficiando dos ajustes, que são enquadrados como apoio à competitividade local.
Por que isso é importante: a ascensão dos veículos elétricos domésticos
Esses ajustes de preços não acontecem no vácuo. O mercado automóvel chinês está a passar por rápidas mudanças. A adoção acelerada de Veículos de Nova Energia (NEVs), combinada com a ascensão de marcas nacionais de veículos elétricos premium, está pressionando as antigas montadoras europeias. Os concorrentes chineses estão a ganhar rapidamente quota de mercado, oferecendo conectividade avançada e capacidades EV que as marcas europeias têm demorado a adotar.
A mudança reflecte uma tendência mais ampla: os consumidores chineses dão cada vez mais prioridade à tecnologia e ao valor em detrimento do prestígio da marca tradicional.
Olhando para o futuro
As marcas alemãs enfrentam agora um teste crítico. O sucesso depende do equilíbrio entre preços localizados, eletrificação e integração de tecnologias digitais. As orientações regulamentares sugerem que o governo chinês pretende estabilizar a indústria e moderar descontos extremos, mas as marcas ainda terão de se adaptar para sobreviver.
O resultado na China influenciará fortemente o seu desempenho global e a sua quota de mercado nos próximos anos. O mercado de automóveis de luxo está a evoluir e estas reduções de preços sinalizam uma nova era de concorrência.
